Um olhar
Brilha azul no negro imenso o planeta que nos propicia a existência. A sensação de calma que esta imagem faz despertar configura-se à escala planetária, e desvanece-se quando, na pele de um cidadão do mundo procuro reflectir sobre os tempos conturbados em que vivemos. Encontro-me contemporâneo de uma Humanidade deslumbrada com o ritmo com que adquire conhecimento sobre o que a rodeia e com o refinamento das ferramentas tecnológicas que desenvolveu para viver melhor, mas que também servem para destruir.
Sentem-se tempos de mudança, natural e até desejável, convergindo para níveis da qualidade de vida compatíveis com a dignidade do ser Humano. Essa mudança encontra resistência por parte daqueles radicais defensores do unanimismo ideológico-religioso e cultural, que, com recurso ao medo e ao terror procuram condicionar a Humanidade a suprimir o inalienável direito à liberdade de expressão, que vai muito para além da formal actividade opinativa, reflectindo-se, em última análise, em tudo o que diz respeito à forma como decidimos viver.
A universalidade do estatuto da Humanidade definido pelas Nações Unidas encontrou aceitação em todos os referenciais culturais, de Este a Oeste e de Norte a Sul, sendo sempre bom lembrar que foram, no século passado, as democracias da Europa e os Estados Unidos os pioneiros no cumprimento desses valores fundamentais. Isto independentemente de terem sido cometidos erros, por vezes induzidos pelo espectro ameçador de tenebrosas ditaduras inspiradas nos mais diversos modelos ideológicos e até religiosos. Têm por isso as democracias desenvolvidas o dever de, elas mesmas, na sua orgânica, se refinarem à luz do pluralismo humanista e solidário, baseado na igualdade entre todos os seres humanos.
E fazem-no sempre as mais prósperas, mesmo os Estados Unidos, que embora apontados por uma esquerda europeia urbana, radical e incoerente - que muitas vezes se esquece que foram os E.U.A. que salvaram a Europa, primeiro do totalitarismo fascista, depois do comunista - como império "diabólico", colocam os valores da liberdade de expressão, da justiça e da iniciativa individual em letras douradas na sua constituição.
Vislumbra-se assim uma era de transição, que deve ser construída assente em pressupostos racionais, mas humanistas, refreando os ímpetos devoradores do progresso não sustentável, mas com uma postura centrada no bem-estar humano, na medida em que, integrada num ecossistema global - o Planeta no seu todo, mas que não existe dissociado do Universo - o equilíbrio saudável do todo traduz-se numa estável e segura caminhada da Humanidade rumo ao único meio de sobreviver como espécie a longo prazo, o equilibrio entre o Conhecimento Científico do Universo em que vivemos e o subtil entendimento da Natureza Humana.
Temos obrigação enquanto espécie, de procurar mecanismos para sobreviver às periódicas convulsões naturais que, mergulhados em escalas de tempo perigosamente curtas, temos tendência a negligenciar. Esse desafio pressupõe como incontornável parceiro do domínio da técnica, o conhecimento do Homem, tendo como ponte entre tais formas de Conhecimento, o Método Científico, primado precioso da racionalidade.


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